quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Poderia ser sem ser. Mas sou, não querendo ser.

Os desesperos que me gritam
Não parecendo serem meus,
Mas antes eu deles,
tal a sua intensidade.
 
Superaram-me a toda hora.
Quer na calma,
Quer pela rua fora,
Quer na agitação da alma.
 
Escapo vergonhosamente
Aos ecos sem voz do espírito.
A dor de ser,
Estar tão ausente.
 
É real na sua abstração.
Intocável, mas sentido no beliscar.
Uma mágoa sem cara.
Mas com presas, garras para ferir.
 
Rasgar e sangrar,
É essa a sua dita.
Impossibilitado de amar,
Não é de amor a minha desdita.
 
A minha dor é a dor.
Pois sem dor, dor não haveria.


terça-feira, 7 de maio de 2013

Que sugestão me é oferecida,
Se toda a informação sou eu:
Que a procuro?
Que a recebo?
Que a guardo?
Que sou EU?

Todos os segundos desperdiçados
Na mera ilusão,
De que dos outros depende
A dependência
Da nossa felicidade.

Ilusão escondida na ilusão.
Por entregue não tinha
Eu, com propósito algum,
A minha alegria nas mãos
De outrem qualquer.

Mas por vontade de agradar
Ou desagradar.
De parecer ou,
De todo, parecer nada.

De todas coisas estas que a mim
Me seguem e cegam,
Enfim, na consciência.

Na inconsciência se mantinha
Entregue, pois claro,
A minha felicidade
No jugo de fulano ou tal.

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Rey

Desde aquele instante.,
Num momento que a memória sufocou.
Lembro-me de me sentir fascinado,
De me sentir vidrado.
 
A tua presença bloqueou-me
Com a facilidade de Baco, ou não,
Mas moveu o meu espírito,
Moveu os meus alicerces.
 
Acreditei na beleza,
No negro do mundo,
Na capacidade de se ser respeitado,
De se ser temido.
 
Sempre que me vagueias na mente,
Eu sou mais eu,
Pois farias o mesmo por ti.
 
Sempre que estou contigo
A vida perde importância.
Não mais temo nada,
A não ser não ser eu.
 
A morte é insignificante.
A doença uma piada.
A dor um pensamento passageiro.
Tenho mais credibilidade.
 
Anseio pelos limites.
Preparo-me para a tragédia.
Atiro-me ao desconhecido.
Tornas-me livre.
 
Relembraste-me da minha essência,
Há tanto tempo esquecida,
O meu ser selvagem,
A minha existência violentamente feliz.
 
Quero mais,
Mais, mais e mais.
Nunca mais me saciei de contigo estar.
Estar contigo é ser-se insaciável.
 
Droga.
És como droga para mim.
Mesmo sóbrio,
Sóbrio deixo de estar,
Torno-me ainda melhor.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Pensar a vaguear.

Na verdade penso,
Mas digo mentira.
Portanto escrevo,
No que a língua me atraiçoa.

Poderia dizer que te amo.
"Tal é vulgarizado"
Poderia dizer que estou obsecado
"Tal é um factor negativista"
Poderia dizer que simplesmente estou apaixonado
"Tal é mentira"

Na verdade sinto,
Mas não sei como sentir,
Não sei como saber o que sentir,
Não sei ser contigo.

Quero ser capaz de me negar a crescer,
Quero negar essa responsabilidade.
Mas e agora?
Agora não me basta sentir,
Também preciso saber sentir,
Preciso de ti.

Na verdade sei,
Que se não viver
Com o teu amor,
Terei de aprender a viver,
Na saudade.


http://www.youtube.com/watch?v=z38si7BX9mA

sábado, 30 de março de 2013

Doi...

Sinto nojo de mim próprio.
Como pude ser tão vão e ignorante?
Podeia ser vaidade.
Mas foi pura estupidez.
 
Preferia nunca mais ser capaz de amar.
Nunca mais ser traído por aqueles que deviam defender a minha honra.
Nunca mais ser ouvido quando o que digo é desconfortável.
Nunca mais ser eu.
 
Não souberam defender-me na minha ausência.
Permitem que seja magoado.
Não fazem nada por mim, NADA.
 
Quem já fez, esses estão cá.
Quero não sentir mais.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Despertar para mais um dia... caganda seca

Ergo-me ao despontar outra hora
Na hora de despertar
Desço as escadas
Baixas mas de tão prelongado caminho
Assim ditei ao largar o abraço de Morpheu

Refrigério busco no calor da água
No aroma dos banhos que imnesos se foram
Devaneio em cogitações e na memória
Relembro sonhos e pesadelos

Nutro meu corpo físico
Visto que o etéreo se encontra restabelecido
Sabores e texturas
Quente e frio
Tudo o que faça meu palato saltar
Em plena alegria nesta harmonia

Tomo coragem e faço os finais preparativos
Revejo meus pertences que comigo levo
Outra e outra vez
Até assumir que nada deixo para trás

Inspiro fundo
Enfrento a entrada deste meu ninho
Enfrento o frio
Dou os bons dias ao Sol tímido
Ou Senhor do topo do céu
Dependendo da hora...

domingo, 6 de janeiro de 2013

João Moreira

Em tempos vazios,
De calor e liberdade,
Nos braços de Baco,
E à deriva na realidade.
 
Viste-me.
Eu te vi.
Ligámo-nos.
 
Afrodite uniu-nos,
Para, seguidamente,
O meu coração trair os seus propósitos.
 
Deus nenhum,
Nem tu,
Me segurou.
 
Por ora
Fica a memória
De quem eu era
E em quem me tornaste.
 
Amo-te,
Abraço quente.
Abraço compreensivo.
Abraço que perdoou.
 
Mais uma vez,
Uma outra vez,
Sangraste por minha falha,
Por minha ignonímia.
 
Até mais ver,
Senão nesta,
Na outra vida.
 
Esperarei por ti,
Para sempre.
Amigo d'alma.