segunda-feira, 28 de maio de 2012

Como pequenas faíscas
Que em redor estalam
A minha imaginação não falha
A minha paixão não esmorece

Até ao núcleo
Até ao cerne
Embrenho-me no mistério
Procuro a resposta

Pela noite vagueio
De dia espero
Até que o crepúsculo abre
E por mim o segredo aguarda

Sigo o canto da ronan
Embora o tema
Vou para o mar
Nem sempre sou deosil

O Sol?
Lá ficará à minha espera
Como a Lua
Como a eilid

Só espero que quem me vigia
Que quem me guarda
Se mantenha ao meu lado
E me mostre o caminho

domingo, 20 de maio de 2012

Desejei-te todo o dia
Em silêncio esperei
Como uma fera
Como um predador

Outra besta se apoderou da minha presa
Outra besta esteve a satisfazer o seu desejo
Mas eu esperei
Quieto no meu lugar

E então a opurtunidade surgiu
Um momento em que estavas desarmado e a sós
Foi o que me bastou
Foi o que eu desejei

Cacei-te
Comi-te
Tu agradeceste
E desejaste

Juraste ter sido eu o melhor predador da noite
Quiseste ser caçado por mim
Então espera
Terás mais

Eu sou a tempestade

Ventos sopram
Ventos urgem
Com divina força
Eu sou a tempestade

A maré se eleva
As ondas destroiem
Com divino poder
Eu sou a tempestade

O trovão a bramir
Que segue o temido relâmpago
Com divina potência
Eu sou a tempestade

Os céus em trevas
As nuvens que trazem a escuridão
Com divino tremor
Eu sou a tempestade

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Quando pensamos demais na outra pessoa e não pensamos no "nós"

Quem és tu?
És alguém,
Ou és ninguém?
Diz-me.

Se eu te pedir, dás-me o teu mundo?
Se eu quiser, posso dar-te o meu?

És frio e frustrado?
Talvez.

És infeliz e mal-amado?
Talvez.

Mas e nós?
O que somos?

Nem é preciso muito mais...

Morde
Lambe
Beija
Sua

Tens de ser bruto
Tens de ser meigo
Tens de ser um deus
Tens de ser meu

terça-feira, 3 de abril de 2012

Primavera

Verde luxuria.
Espasmos de vida.
Rasgos de alegria por entre fria estação.
Chovosos dias.
Por entre a cor de cheiro forte.
Explodem pontos de doce.
No ar a transbordar o mel,
O doce mel das flores.
Sopros correm por entre cabelos.
Cantos canoros, pilri-pilri.
Voos alucinantes, rasteiros e histéricos.
Cocofonia aviária.
Risos e galanteios.
Almíscar apimentado,
Desejos e discórdias.
Fantasias privativamente óbvias.
Tudo nasce para morrer,
Mas tudo nasceu e está a viver.
O demais não é suficiente.
Esta estação de exageros.

Ao menos faço o meu caminho

Deixamo-nos passear erroneamente
Por essas ruas vazias e frias.
Deixamo-nos vaguear sem norte
Por memórias e sonhos inalcansáveis.

Tropeçamos mas nem vacilamos.
Choramos com o prazer.
Alimentando-nos com o dia-a-dia,
Rotina imutável.

Seguimos o que achamos ser aceite
Sem nunca nos aceitarmos,
Sem conhecer nossa própria essência.
Só o que é, existe.

Em conformidade com o todo,
Nos deixamos nesse grilhão de ignorância.
Tendo como opinião o que ouvimos falar
Sem nos lembrar de procurar.

Porque se sempre assim foi,
Porque deixaria de o ser?
Se assim é bom,
Para quê mudar?

Temos de alcançar as trevas para atingir luz.
Temos de sofrer para conhecer a felicidade.
Nada vejo mas muita dor sinto,
E tu?